O texto nem parecia ser do popular Aguinaldo, apesar de algumas cenas beirarem uma adaptação de Renato Aragão ou uma versão do Casseta e Planeta de uma novela das oito. A história em si é fraca, ao contrário das outras obras do autor, em que tinham histórias fortes, mas desenvolvimentos e diálogos sofríveis.
E porque eu gostei eu posso criticar com muito gosto. E para começar a crítica, eu digo que achei de muito mal-feito a proposta da minissérie para uma segunda temporada. Não que eu ache que seja ruim uma segunda temporada, não, acho super bem-vinda, o problema é que preparar uma primeira já pensando numa segunda, apesar de mercadológico, não faz muito sentido, nem em séries consagradas como Lost. Algumas coisas precisam ter fim, e o fim mesmo rápido precisa ser verossímel e justo. A história pode ser dividida em duas, a primeira onde as protagonistas têm seus problemas pessoais separadas, e a segunda parte onde elas se juntam para resolver seus problemas, que muito me lembrou Quatro por Quatro, acho que por ver a Betty Lago, primorosamente de volta à telinha.
Acho que outros atores ficaram sem aproveitamento, como os empregados, os secundários e alguns dos netos. Ficou parecendo que seguiram a linha: "vamos dar emprego!". E ainda pior, quando eles aparecerem, vamos fazer falar algo de impacto social, como foram as falas dos empregados. Bem, mas é uma minissérie, temos que contentar. Despretensiosa (ao mesmo tempo que com uma presunção anterior, causada pelo autor em seu blog), a história foi o reverso dos clichês costumeiros das obras super-conservadoras da emissora, o que é de se chocar. Enquanto as pessoas achavam que o lesbianismo e o gay vilão seria o que mais chocaria na história (o que não foi por conta do mal-aproveitamento dos personagens), o debate sobre outras coisas ficou muito mais evidente, como o caso do traficante e o seu final, que apesar de tosco, foi bem interessante e crítico. Aguinaldo soube fazer uma boa obra, interessante e com um apelo diferente da linha que segue costumeiramente. Ele soube ser diferente e trazer um pouco mais de arte para a tv, por incrível que pareça e assuste alguns ao me ver considerar Cinquentinha uma arte. Sim, foi uma arte. E hoje, talvez, não demos o devido valor, mas ela terá ao seu tempo uma recompensa, a de mudar um pouco, junto com Som&Fúria (a obra de 2009, sem nada fazer chegar perto) os padrões estéticos das obras sazonais globais.
Mas falta muito para chegar lá, mas temos gente aí pra isso. Ainda quero ver João Emanuel escrevendo algo do tipo, ele sim, talvez, seria ideal pra fazer um trabalho do tipo. É jovem e antenado e bem mais disposto a inovar, sem medo de perder a cara. Dar a cara a tapa é algo que Aguinaldo já fez muitas vezes e poucas foram as críticas que recebeu, afinal, ele não é muito bom de receber críticas, como também auto-denominou. Falar mais de Aguinaldo é algo que quero futuramente, pois ele é uma figura interessante, que gosto muito de acompanhar pelo blog, mas que possui um título distante da realidade, um título talvez imposto por ele mesmo. Ou por uma crítica vidrada em números, que é o caso do Brasil.


1 comentários:
Gostei de "Cinquentinha". Por um motivo simples: não se levou a sério. Ou pelo menos não tanto.
Por isso é que os diálogos mal escritos e as situações absolutamente inverossímeis faziam todo o sentido aqui. E foram realmente hilárias. Diferente das novelas que ele comumente escreve, pretensiosas demais, metidas a boas demais e por isso mesmo ruins demais.
Acho que a estratégia do Aguinaldo Silva é muito boa - eu vou inclusive começar a usar comigo: ele diz que é autor memorável, e as pessoas acreditaram. Melhor pra ele.
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